segunda-feira, 24 de novembro de 2008

* Iseree II

Por onde andas, minha querida Iseree?
Penso que deverias despedir-te das tuas tão merecidas férias e voltar ao imenso redondo de todas as cores para cobrir os gelados.
Por cá sente-se frio, Iseree. E o vermelho deixou de se ver. O verde também, curioso. O azul teve o mesmo destino.
Houve uma outra que se tornou constante. O que me dizes do cinzento?
Sim, eu sei que é a tua cor preferida, mas não deixa de reflectir o neutro que em nós vive. Aliás, a oitava letra do abecedário é quem nos melhor conhece. Porque vejamos: conhecemo-nos a nós em nós confiamos o que de nós acontece e acontece a nós, porque somos nós e só a nós o nós nos diz respeito e só nós nos merecemos, se é que merecemos algum nós que nós sejamos.
Quem nos conhece, afinal? Quem conhecemos?
Precisamente:
- Ninguém – diz a voz silenciosa.
Curioso que sai uma palavra da garganta, do nariz ou da boca e espalha-se pelas rosas, silvas e árvores.
Uma vez mais: onde andas, querida Iseree?
Onde está a tua tela de azuis e amarelos?
Volta, por favor… Tenho frio e não tarda estarei cega.
Quero acordar à luz da gélida manhã, ouvindo os acordes de quem sente, rodeada pelo verde da esperança que já não existe, saber sorrir e agradecer.
Lembrem-se: o vento só empurra.