Sentaste-te costas com costas comigo e disseste:
- As nuvens estão escuras.
Eu não disse nada e mantive a cabeça apoiada nas mãos e estas nos joelhos.
- Estive a observar o jardim. Hoje, apenas uma magnólia não floriu. Acho que as nuvens não se abriram para ela, afinal. Que dizes?
Não demorei muito a pensar numa resposta.
Possivelmente, a magnólia está cansada de florir todos os dias para ver apenas o mesmo jardim de flores, disse.
- Mas um jardim muda todos os dias. Alguns dos seus habitantes mudam-se ou vão e novos chegam.
A magnólia não se deve interessar pela vizinhança, então, disse eu com um suspiro.
- Mas um jardim interessa-se por todos os seus condimentos, sabes?
Aí arrancaste-me um sorriso dos lábios; quem mais usaria a palavra condimento fora de uma sopa?
- As nuvens estão escuras e eu sei porquê. Tu deves saber também. E, se a magnólia não quer saber dos vizinhos, por que se levanta ela cedo e se recolhe à tardinha? Algo me diz que esta magnólia semi-autista ainda consegue sentir afecto por, talvez, outras magnólias.
Acordaste-me! Estalo na mente…
Sim, julgo que se virmos o quadrado representado com essas invisíveis fará dele um cubo, disse.
- Tinhas asas. Por que foste?
Caíram. Tive de fugir.
- Tinhas pétalas e tinhas folhas. Por que foste?
Porque as asas caíram primeiro.
- E as nuvens?
As nuvens estão sempre no céu, leves ou carregadas e até mesmo invisíveis.
Sorrimos.
Depois expliquei-te que, embora não aparentem, os cactos são sensíveis e esse é o motivo pelo qual têm espinhos. Por vezes encontram-se magnólias com espírito cacticída. Talvez não queiram ver o jardim nesses tempos e talvez por isso as nuvens escureçam também.
- As nuvens estão sempre no céu, apesar de tudo.
Dito isto, mudaste de posição por um momento, durante o qual me deste um beijo na parte lateral da cabeça – os teus carinhos reconfortantes. Agradeci e, dessa vez, não atirei o saco ao ombro e calquei o chão.
Subitamente, as nuvens pareciam mais claras.
- As nuvens estão escuras.
Eu não disse nada e mantive a cabeça apoiada nas mãos e estas nos joelhos.
- Estive a observar o jardim. Hoje, apenas uma magnólia não floriu. Acho que as nuvens não se abriram para ela, afinal. Que dizes?
Não demorei muito a pensar numa resposta.
Possivelmente, a magnólia está cansada de florir todos os dias para ver apenas o mesmo jardim de flores, disse.
- Mas um jardim muda todos os dias. Alguns dos seus habitantes mudam-se ou vão e novos chegam.
A magnólia não se deve interessar pela vizinhança, então, disse eu com um suspiro.
- Mas um jardim interessa-se por todos os seus condimentos, sabes?
Aí arrancaste-me um sorriso dos lábios; quem mais usaria a palavra condimento fora de uma sopa?
- As nuvens estão escuras e eu sei porquê. Tu deves saber também. E, se a magnólia não quer saber dos vizinhos, por que se levanta ela cedo e se recolhe à tardinha? Algo me diz que esta magnólia semi-autista ainda consegue sentir afecto por, talvez, outras magnólias.
Acordaste-me! Estalo na mente…
Sim, julgo que se virmos o quadrado representado com essas invisíveis fará dele um cubo, disse.
- Tinhas asas. Por que foste?
Caíram. Tive de fugir.
- Tinhas pétalas e tinhas folhas. Por que foste?
Porque as asas caíram primeiro.
- E as nuvens?
As nuvens estão sempre no céu, leves ou carregadas e até mesmo invisíveis.
Sorrimos.
Depois expliquei-te que, embora não aparentem, os cactos são sensíveis e esse é o motivo pelo qual têm espinhos. Por vezes encontram-se magnólias com espírito cacticída. Talvez não queiram ver o jardim nesses tempos e talvez por isso as nuvens escureçam também.
- As nuvens estão sempre no céu, apesar de tudo.
Dito isto, mudaste de posição por um momento, durante o qual me deste um beijo na parte lateral da cabeça – os teus carinhos reconfortantes. Agradeci e, dessa vez, não atirei o saco ao ombro e calquei o chão.
Subitamente, as nuvens pareciam mais claras.
(Aluap & Egroj)
1 comentário:
Não é para me armar ao pingarelho, mas julgo-me menino para usar a palavra "condimentos" nos mais variados contextos. :P
Já disse que gostei muito?
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