segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

* Mistério

Mistério… tem um sabor que não saboreio. Afinal, só é mistério até o deixar de ser e, quando deixa, porque deixa sempre e, pior, muito rapidamente, fica sem sabor. É fraco demais para se sentir, já que os sentimentos mal se sentem. São é insuportáveis quando calham de fazer questão de ser sentidos. Mas mistérios? Efémeros. E sentimentos? O maior mistério.
De qualquer forma, saboroso é o sabor de mistério não saboreado… Faz mover – mover os cantos da boca pelo perigo do desconhecido; os olhos aceleradamente; o batimento cardíaco face à mudança, ao toque que não se conhecia… Tudo para chegar ao fim e perceber um mistério que acaba por não ser mais mistério. A ambição do mistério e o mistério da ambição. Um mistério, por mais misterioso que seja, é revelado… E o mistério envolvido revela-se tristemente insignificante. Ou seja, o mistério controla os sentimentos, mas quando o mistério é revelado o sentimento é como que abatido. Por isso, espero pacientemente pelo mistério que permaneça misterioso e que o sentimento não pereça e permaneça um mistério.
Nos maus dias, os anjos tiram as máscaras de noite. Cuidado com os morcegos.


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