- O que é ao certo estar em casa?
Foi o inicio de dia mais calmo que as ruas daquela cidade testemunharam. A aurora levantava e havia ainda vestígios de felicidade da noite anterior. Sentadas no estrado de uma estátua, notavam-se duas silhuetas no raiar azul. Conversavam. E a luz aumentava, à medida que as palavras soltas escreviam uma história.
Sentámo-nos costas com costas muitas horas antes, ainda a cidade era viva. Tu compreendeste logo o porquê de eu não encarar a lua; às vezes é mais fácil admitir a existência de reentrâncias em saliências não olhando as pessoas nos olhos. Neste caso, era assim mesmo: eu a admitir em voz alta para alguém que não eu que sou um larífugo do meu próprio mundo. Eu ia falando e tu ouvias-me. E, nas minhas pausas, o tom sábio da tua voz calma que aconselha era um abraço.
Contei-te o meu livro dos falsos amores e, num oceano de suspiros e enfins, o rum foi-se sumindo da garrafa. Levaste-me a casa, porque casa é onde te sentes em paz. A minha casa. Uma noite há muito prometida.
(Aluap.Oãoj)
3 comentários:
Acho que preciso de ser levado para casa
Folgo em saber que ainda há Conversas de Anjos. :)
Não que seja altamente saudável, mas "são bidas"!
Enviar um comentário