Lembro-me bem do meu 11 de Setembro de há 10 anos atrás.
A minha melhor amiga de nove anos e a irmã dela foram lá a casa, numa tarde solarenga ainda em tempo de férias, e passámos um dia divertido a apanhar rãs. Não me lembro o que faziam os meus pais, ou se estavam sequer em casa, nem tenho ideia da presença da minha irmã, mas, a meio da tarde, eu, espantando-me a mim mais do que a qualquer outra pessoa, decidi que ia apresentar a minha avó paterna às minhas amigas. E assim foi: de bicicleta, pedalamos a freguesia duma ponta à outra.
Quando cheguei a casa da minha avó, estranhei por ver tudo tão silencioso e pouco movimentado. Abri a porta de casa e entrei em pânico. Os meus (ainda) quatro avós estavam sentados em frente à televisão. As avós choravam; os avós tinham o ar mais carregado de que me lembro. Curioso não ter memórias muito lúcidas do meu avô paterno nesse dia, o homem que viveu nos Estados Unidos. Mas imagino bem um estado de alma a quem destroem o palco da vida passada, sentado no cadeirão com um grande copo de café à frente e uma mão a amparar a cabeça pesada.
Nesse dia, regressei a casa cansada e triste. Na altura, não percebi o impacto que todo aquele fumo, confusão e gritos teriam na história mundial. Só me preocupou o facto de estarem a chorar. Hoje, as estimadas 2996 vítimas das torres gémeas e do Pentágono pesam nas extensas páginas dos jornais, pesam nos filmes, documentários e notícias que passam nas televisões; mas pesam sobretudo nas vidas dos que ficaram para testemunhar.
O 11 de Setembro de 2001 marcou o mundo com a palavra terrorismo. No "dia que mudou o mundo", tornou-se claro que é impossível ignorar essa ameaça internacional, depois da escalada de violência que assumiu proporções inesperadas e que constitui actualmente um verdadeiro desafio para os Estados. Tal facto, diz-se, deveu-se ao ressurgimento do fundamentalismo religioso e ao recrudescimento dos conflitos regionais e locais, dos nacionalismos e separatismos, com o fim da Guerra Fria. E não se limitou aos Estados Unidos: a Europa digladia-se com o terrorismo basco, irlandês, tchetcheno, albanês, bósnio; a América Latina luta com os actos terroristas ocorridos na Colômbia; a Ásia sofre com o terrorismo religioso e político ocorrido na Indonésia, Filipinas, Paquistão, Índia, Sri Lanka, Afeganistão, Síria, Israel, Turquia, Iraque...; a África não tem destino diferente com todos os tumultos dos países que lutam pela liberdade. Guerra. Intolerância. Terror.
Por isso, urge-se a continuação da difícil busca pela harmonia, através daquele (que parece infindável) confronto contra a proliferação de armas, o armamento nuclear, as armas químicas e biológicas e, sobretudo, contra o mau senso de comunidade, contra os extremismos e a guerra. Urge-se paz.
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