segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sensibilidade (e bom senso?) IX

Poucas não são as coisas a que se pode largar um sorriso; pouco sim é o espírito que um sorriso consciente tem. A inconsciência é pura, tão pura que faz brotar lágrimas de gente cuja consciência é inconscientemente correcta.
Ninguém é simples. A simplicidade de alguém é extremamente complexa. Por detrás de um rosto de anjo esconde-se a proeza de uma raposa; dentro de uma gaveta de olhares encontra-se um ódio profundo que não se quer ver… E porquê? A simplicidade dum momento tem muito que se lhe diga e ainda ninguém viu isso.
Vê. Vê isso, por favor. Caso contrário, os corpos derramarão mais do que sangue: invisível aos olhos, sem cor, sem sabor, sem cheiro – ainda assim mais perigoso, mais sentido, mais complexo.
Obrigada.


(2008?)

1 comentário:

José Cevada disse...

A tua forma de percepção é espectacular, mais do que certa ou errada, pesada ou leve, é bela a forma com que se pode encarar a realidade..gostei mesmo de ler e ouvir o que partilhas aqui neste espaço, vê-nos no próximo debate:p

beijo,