Não olhes assim para mim; tenho de me ir embora. Não me olhes assim. Preciso de fugir – disse.
Perguntaste porquê e eu não soube o que responder. É uma necessidade, acabei por dizer. E fechei os olhos e baixei a cabeça, já esperando um grito de quem pensa no egoísmo dos anjos. Mas não. Da tua boca saiu um suspiro de choro. Olhei a medo. As lágrimas estavam presas à força nos olhos. Aguenta, aguenta; não pretendo ver-te chorar hoje.
- Tens asas! Para que vais?
As asas caíram.
- Tens mãos! Para que vais?
As mãos não mexem.
- Tens espírito! Para que vais?
O espírito precisa de paz. Não a tendo, é como uma caixa de surpresas sem segredos...
- Tinhas asas…
Caíram.
- E saudade?
Não conheço.
- E as tardes da brisa de Verão?
Deram lugar às frias ventanias de Outono.
- E nós?
Vós… vós sois as nuvens – sempre no céu, mesmo que não se vejam.
Sorrimos. Virei as costas e atirei a bolsa ao ombro. Olhei-te nos olhos um momento antes e pensei em muitas palavras de despedida que jamais fariam sentido.
Adeus! - acabei por dizer. E tu ficaste para trás, à medida que eu calcava o solo numa direcção diferente, pensando tu na mudança de cor dos meus olhos.
Perguntaste porquê e eu não soube o que responder. É uma necessidade, acabei por dizer. E fechei os olhos e baixei a cabeça, já esperando um grito de quem pensa no egoísmo dos anjos. Mas não. Da tua boca saiu um suspiro de choro. Olhei a medo. As lágrimas estavam presas à força nos olhos. Aguenta, aguenta; não pretendo ver-te chorar hoje.
- Tens asas! Para que vais?
As asas caíram.
- Tens mãos! Para que vais?
As mãos não mexem.
- Tens espírito! Para que vais?
O espírito precisa de paz. Não a tendo, é como uma caixa de surpresas sem segredos...
- Tinhas asas…
Caíram.
- E saudade?
Não conheço.
- E as tardes da brisa de Verão?
Deram lugar às frias ventanias de Outono.
- E nós?
Vós… vós sois as nuvens – sempre no céu, mesmo que não se vejam.
Sorrimos. Virei as costas e atirei a bolsa ao ombro. Olhei-te nos olhos um momento antes e pensei em muitas palavras de despedida que jamais fariam sentido.
Adeus! - acabei por dizer. E tu ficaste para trás, à medida que eu calcava o solo numa direcção diferente, pensando tu na mudança de cor dos meus olhos.
(Aluap & Atir)

1 comentário:
Uau!... Isto é que é pôr a fasquia lá em cima logo ao primeiro post! :)
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